24 de fevereiro de 2008

Barrigana


Frederico Barrigana, ou o “mãos de ferro” como lhe chamou um jornalista francês após um jogo da Selecção Nacional, nasceu no dia 28 de Abril de 1922 em Alcochete.
Começou a jogar futebol no Montijo, mas aos 18 anos ingressou no Sporting C.P. onde se manteve três épocas.
Entretanto surgiu o interesse do Futebol Clube do Porto que procurava um guarda-redes para o lugar do húngaru Béla Andrásik. Assim com 21 anos, Barrigana mudou-se para a cidade do Porto e rapidamente agarrou a titularidade da baliza portista.
Esteve durante doze temporadas ao serviço do F.C. Porto onde conquistou por quatro vezes o Campeonato do Porto e por três vezes a Taça Associação de Futebol do Porto.
Em 1947 recebeu uma oferta do Vasco da Gama que o queria contratar e lhe oferecia 10 vezes mais do que aquilo que ganhava no Futebol Clube do Porto, mas Barrigana rejeitou e preferiu continuar de Dragão ao peito.
Curiosamente o Futebol Clube do Porto sagrou-se Campeão Nacional logo após a saída de Barrigana. Yustrich chegou para treinar a equipa portista e dispensou o guardião que se mudou para o vizinho S.C. Salgueiros. No clube de Paranhos esteve durante três temporadas, até abandonar a carreira de futebolista em 1958.
Estreou-se pela Selecção Nacional no dia 21 de Março de 1948 e foi 12 vezes internacional.
O Mãos de Ferro morreu no dia 30 de Setembro de 2007 no Hospital de Águeda, vitima de doença pulmonar.

Palmarés:
4 Campeonatos do Porto
3 Taças Associação de Futebol do Porto

17 de fevereiro de 2008

Ricardo Carvalho


Ricardo Alberto Silveira Carvalho nasceu no dia 18 de Maio de 1978 em Amarante.
Desde que passou a sénior na temporada de 1997/98, Ricardo Carvalho teve um período de aprendizagem onde foi emprestado a diversos clubes até se afirmar em definitivo no Futebol Clube do Porto.
Na época de 1997/98 representou o F.C. Leça no seu ano de estreia como sénior.
Na temporada seguinte regressou ao F.C. Porto onde fez a sua estreia com a camisola azul e branca num jogo contra o S.C. Salgueiros.
Foi novamente emprestado ao Vitoria de Setúbal em 1999/00 e ainda passou pelo Alverca F.C. na época de 2000/01, até que na temporada seguinte conquistou um lugar em definitivo no plantel da equipa portista orientada na altura por Octávio Machado.
O salto para o estrelato aconteceu na temporada de 2002/03 onde foi um dos esteios da defesa do F.C. Porto sagrando-se Campeão Nacional e Vencedor da Taça de Portugal, a juntar a tudo isso conquistou ainda a Taça UEFA na final realizada na cidade espanhola de Sevilha, um jogo em que o Futebol Clube do Porto venceu a equipa escocesa do Celtic de Galsgow.
Na época seguinte, 2003/04, Ricardo Carvalho foi ainda mais importante no eixo da defesa da equipa de José Mourinho, já que foi titular indiscutível, e de novo ajudou o F.C. Porto a vencer de forma clara o campeonato e a sagrar-se Bi-Campeão Nacional, á conquista no campeonato juntou ainda a vitória na Supertaça. Mas a principal conquista da carreira de Ricardo Carvalho aconteceu no dia 26 de Maio em Gelsenkirchen onde o Futebol Clube do Porto venceu na final de forma clara, a equipa do A.S. Mónaco, e sagrou-se Campeão Europeu. Foi esse o último jogo de Ricardo Carvalho com a camisola do F.C. Porto, já que na época seguinte ingressou no Chelsea F.C. ao protagonizar uma transferência milionário de 30 milhões de euros.
No clube de Londres jogou durante cinco temporadas em que venceu por três vezes o campeonato, duas vezes a Taça de Inglaterra, a Supertaça de Inglaterra e a Taça da Liga de Inglaterra. Em 2010/11 rumou a Espanha para representar o Real Madrid. No clube espanhol venceu a Taça de Espanha logo na primeira temporada e o campeonato em 2011/12. Em 2013/14 viajou até França para ingressar no A.S. Mónaco, clube que representou até ao final da época de 2015/16.
Ricardo Carvalho já representou a Selecção Nacional por diversas vezes. Esteve presente nos Campeonatos do Mundo de 2006 e 2010 e nos Campeonatos da Europa em 2004, 2008 e 2016, este ultimo que Portugal venceu e se sagrou Campeão da Europa.
No dia 25 de Julho de 2014 voltou a vestir a camisola do Futebol Clube do Porto e a pisar o relvado do Estádio do Dragão para o jogo de homenagem e despedida de Deco.

Palmarés
1 Campeonato da Europa Selecções (Portugal)
1 Liga dos Campeões
1 Taça UEFA
3 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
3 Campeonatos de Inglaterra
1 Campeonato de Espanha
2 Taça de Portugal
2 Supertaças Cândido de Oliveira
2 Taças de Inglaterra
2 Supertaças de Inglaterra
2 Taças da Liga (Inglaterra)
1 Taça de Espanha

10 de fevereiro de 2008

Jardel


Mário Jardel Almeida Ribeiro, nasceu em Fortaleza no dia 18 de Setembro de 1973.
Foi um dos maiores goleadores de sempre do Futebol Clube do Porto e ainda hoje deixa saudade a alguns pela sua tremenda eficácia no que a golos diz respeito.
"Super Mário"ou "Jardigol" eram estas as suas principais alcunhas e tudo começou no Ferroviário, passando depois mais tarde pelo Vasco da Gama e pelo Grémio de Porto Alegre.
Foi no Grémio, que conquistou um dos seus principais títulos da sua carreira (Taça das Libertadores) e inclusivé se tornou o melhor marcador da competição com 9 golos e nessa altura já se antevia, que o seu futuro no Brasil não se iria prolongar por muito tempo.
Tal coisa se veio a confirmar no ano seguinte (1996), quando chegando ao verão aparece o F.C. Porto interessado e após bater a concorrência adquire o ponta de lança brasileiro e na altura muitos duvidavam essa mesma contratação, devido ao seu ar um pouco desengoçado e aparentemente não ser muito habilidoso no jogo de pés, sendo o cabeceamento a sua principal arma.
Chegou então ao F.C. Porto para a época 1996/97 e se estreou na 1ªjornada no saudoso Estádio das Antas frente ao Vitória de Setúbal.
Um dos momentos mais altos da sua carreira será garantidamente aquela noite mágica de San Siro, onde o F.C. Porto obteve uma das vitórias mais emocionantes dos últimos anos e foi precisamente o brasileiro a ser o principal protagonista da partida ao apontar 2 golos ao gigante Rossi e o mérito é ainda maior, sabendo que iniciou o jogo no banco de suplentes e entrou apenas aos 62 minutos de jogo para o lugar de Barroso, fazendo então aos 76 e 82 minutos de jogo os golos, que ditaram uma vitória histórica sobre o poderoso A.C. Milan.
Foi no F.C. Porto claramente, que o Jardel teve o seu maior período de sucesso e nas quatro épocas de azul e branco vestido foi por quatro vezes o melhor marcador do campeonato, tendo o seu máximo de golos ter sido atingido na sua última temporada na época 1999/00 ao marcar 38 golos em 32 jogos e curiosamente foi a única temporada onde não se sagrou campeão ao serviço do F.C. Porto, tendo ganho tudo ao serviço dos dragões a nível interno, ou seja, campeonato, taça e supertaça e chegando até aos quartos de final da Liga dos Campeões, sendo o F.C. Porto eliminado de uma forma injusta perante o todo poderoso Bayern e nos dois jogos dessa eliminatória o F.C. Porto marcou um golo em cada um desses jogos e para não variar o matador brasileiro marcou os golos da sua equipa ao sempre temível Oliver Kahn, mas infelizmente não foi suficiente para seguir em frente muito graças a um senhor do apito de nome Hugh Dallas.
No final de cada temporada muito se falava na saída do Mário Jardel do F.C. Porto e a verdade é que se falava muito e nada se concretizava, mas em Junho do ano 2000 tudo mudou, aparecendo finalmente um clube a pagar a sua cláusula de rescisão (3,2 milhões de contos) e assim o F.C. Porto não podia fazer nada e a saída foi inevitável para os turcos do Galatasaray, que acabara de se sagrar vencedor da Taça Uefa e possuindo jogadores de grande nível como o guarda-redes Taffarel, Popescu, Emre, Okan, Hagi, Hasan Sas ou Hakan Sukur, que no final dessa temporada se transferiu para o Inter de Milão e assim possibilitou a vinda do Jardel em sua substituição.
A sua chegada à Turquia foi de um clima de grande euforia, por terem a noção de que tipo de reforço haviam contratado e "Super Mário" não se fez rogado, se destacando logo no início ao ser um dos principais responsáveis pelo apuramento do Galataray para a Liga dos Campeões ao apontar dois golos frente aos suiços do St.Gallen na vitória por 2-1.
Mas, foi num jogo a contar para a Supertaça Europeia frente ao Real Madrid, que Mário Jardel passou a ser "herói" para os adeptos da equipa turca ao apontar os dois golos, que possibilitaram derrotar o Real Madrid, já com o internacional portugûes Luís Figo na equipa.
A sua época na Turquia em termos desportivos foi boa (para o campeonatos 22 jogos-24 golos), só que claramente nunca se conseguiu adaptar à cultura turca e ainda para mais o facto do Galatasaray apresentar uma grave crise financeira e o Jardel auferir um ordenado bastante elevado a saída seria a melhor solução e então aí muito se falou e inclusivé o seu regresso a "casa" esteve mesmo muito próximo de acontecer, não acontecendo pelas razões já por diversas vezes conhecida.
A verdade é que o seu destino acabou mesmo por ser Portugal, mas não no F.C. Porto, mas sim no Sporting C.P. chegando já com a época a decorrer e com alguns quilos a mais, logo seria necessário umas semanas de trabalho árduo para voltar a estar fisicamente disponível para uma época bastante exigente e longa.
Mesmo não estando na sua plenutide, foi imediatamente chamado para a titularidade no Sporting C.P. e como Jardel significa golos, não se fez rogado e mesmo na estreia frente ao União de Leiria de José Mourinho (jogo acabou empatado a uma bola) fez o gosto ao pé, apontando o golo de grande penalidade.
Um dos momentos mais marcantes para o jogador nessa temporada foi sem dúvida o seu regresso ao Estádio das Antas, um estádio onde lhe deu muitas alegrias durante quatro anos e que deixou enormes saudades, mas infelizmente regressou como adversário, num jogo onde para ele aconteceu de tudo, marcou um golo (golo 150 na Liga), falhou uma grande penalidade (defendida por Vítor Baía) e foi expulso por acumulação de amarelos.
Acabou a época 2001/02 com o Sporting C.P. campeão e o Jardel a apontar o impressionante número de 42 golos marcados em apenas 30 jogos disputados.
Mas, esta foi a última temporada do "verdadeiro" Jardel, quem diria depois de uma época ao apontar tantos golos e por vezes de maneira incrível, se pudesse acreditar o que viria a seguir, caminhando num autêntico "inferno".
A história já muitos a sabem de cor, desde os motivos da sua não convocação para o Mundial 2002 ou a transferência para um colosso europeu não se ter concretizado, tudo junto fez com que o levaram a ficar naquele estado aquando do início para a época 2002/03, onde chegou a ser hipótese a sua saída do Sporting C.P. mas tal não se verificou, tendo feito uma época a "espaços", isto é, jogando jogo sim jogo não por vezes, mas mesmo assim terminou a época com 11 golos marcados e pela primeira vez em seis épocas em Portugal não se sagrou o melhor marcador do campeonato.
Depois da sua saída do Sporting C.P. seguiu para Inglaterra (mais concretamente o Bolton), onde não foi feliz, mas fica registado o seu golo ao Liverpool para a Taça da Liga e que valeu a passagem do Bolton à ronda seguinte. Passou ainda pelo futebol italiano, argentino, cipriota, austráliano, bulgaro, brasileiro e portugues.
O seu regresso ao futebol portugûes, para o S.C. Beira-Mar se deveu à vontade do próprio Jardel e nesse aspecto de destacar o papel, que o técnico Augusto Inácio teve sobre o Jardel, "transformando" por completo os hábitos deste jogador e o caminho para a sua recuperação como homem se conseguiu e em termos desportivos só não teve os efeitos mais desejados, porque também não contribuiu o facto do técnico Inácio ter permanecido durante muito tempo no clube de Aveiro, sendo substituído pelo treinador Carlos Carvalhal.
Um dos maiores momentos no seu regresso, foi claramente o seu regresso ao estádio do F.C. Porto, onde os adeptos prestaram a merecia homenagem a este goleador, que após a sua substituição se despediu do público portista bastante emocionado e com a "promessa" de voltar um dia ao F.C. Porto.
A sua saída para o Chipre a meio da época, acontece porque já não era muito utilizado no S.C. Beira-Mar, que vivia uma crise técnica e ambas as partes entenderam que seria melhor a sua saída e assim foi e ainda foi a tempo de conquistar mais um título na sua carreira, ao vencer a Taça do Chipre ao serviço do Anorthosis e no campeonato cipriota apontou três golos e curiosamente todos os golos, foram marcados nas únicas vezes em que foi titular.
Voltou ao Brasil onde passou por alguns clubes de menor relevo, para em 2010 viajar até à Bulgaria para jogar pelo Cherno More.
No ano seguinte regressou ao Brasil para vestir a camisola do Atlético Rio Negro, clube onde se despediu dos relvados.

Palmarés
1 Campeonato do Mundo de sub-20
3 Campeonatos Carioca
1 Taça Rio de Janeiro
1 Taça Guanabara
2 Campeonatos Gaúchos
1 Taça dos Libertadores da América
1 Recopa
4 Campeonatos Nacionais da 1ª Divisão (Portugal)
3 Taças de Portugal
4 Supertaças Cândido de Oliveira
1 Supertaça Europeia
1 Campeonato Argentino
1 Campeonato Goiano
1 Taça do Chipre
2 Botas de Ouro
Melhor marcador da Taça da Libertadores (1995)
Melhor marcador do Campeonato Português (1996/97, 1997/98, 1998/99, 1999/00 e 2001/02)
Melhor marcador da Liga dos Campeões (2000)

elaborado por Pedro Rodrigues

4 de fevereiro de 2008

Waldemar Mota

Waldemar Mota da Fonseca nasceu no dia 18 de Março de 1906.
Foi médio/extremo direito de elevada qualidade que representou o Futebol Clube do Porto nas décadas de 20 e 30.
Foi o primeiro atleta do F.C. Porto a participar nos Jogos Olímpicos, nomeadamente os Jogo Olímpicos de Amesterdão de 1928, em representação de Portugal e marcou o primeiro golo da Selecção Nacional contra o Chile nessa competição.
Vestiu a camisola da Selecção Nacional por 21 vezes e em uma dessas vezes marcou 3 golos contra a Selecção de Itália, um jogo que Portugal venceu por 4-1.
No Futebol Clube do Porto desde os iniciados, Waldemar Mota já como sénior, fez parte da equipa treinada por Joseph Szabo que durante as épocas de: 1927/28 e 1937/38, venceu um Campeonato Nacional, dois Campeonato de Portugal e onze Campeonatos do Porto.
Formou juntamente com Pinga e Acácio Mesquita o célebre meio-campo da equipa portista que ficou apelidado de “os três diabos do meio-dia” depois do F.C. Porto ter vencido em alturas do natal de 1933 o First de Viena e uma Selecção da Budapeste, jogos que foram realizados por volta do meio-dia.
Depois de abandonar o futebol, Waldemar Mota ficou ligado ao comércio. Possuía uma mercearia fina que tinha clientela seleccionada, o estabelecimento ficava próxima da entrada do Mercado do Bolhão e era frequentada pela burguesia da cidade do Porto.
Faleceu em Abril de 1966. Encontra-se sepultado no cemitério do Bonfim no Porto.

Palmarés
1 Campeonato de Portugal
2 Campeonato Nacional da 1ª Divisão (Portugal)
11 Campeonatos do Porto